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16 de Dezembro de 2018

Marola acentuada em si menor, do PT, a bombordo

Mitos repetidos, verdades escondidas...

há 3 anos

Marola acentuada em si menor do PT a bombordo

Como todos sabem, a política econômica do Presidente Lula nunca foi a mesma do Presidente Fernando H. Cardoso. Lula teve que respeitar os alicerces básicos desenhados pelo Presidente Itamar Franco, mas como é da própria natureza das ideologias em questão, um procurou o estado mínimo e o outro o Estado Forte.

Sem deixar de mencionar a crise da Ásia na década de 90 que por causa do fracasso de FHC e de seu estado mínimo fez com que o Brasil não acompanhasse o crescimento da economia mundial, ficou evidente depois da crise de 2008 que o estado mínimo é o maior dos mitos. Justamente onde era mínimo se revelou diante de todos durante pelo menos 6 anos, deixando milhões de desempregados e um outro monte de gente ferrada.

Houve estatização em massa, a criação de órgãos reguladores de todos os tipos e o aumento do controle do Estado sobre a economia e as finanças; inclusive diante de bancos centrais antes independentes, oque no Brasil é pecado. Ao mesmo tempo vivenciamos um acentuado aumento na concentração de renda a nível mundial.

Vale lembrar que o setor público dos EUA controla o maior empregador do mundo (Pentágono) e que emprega nada menos que 3.2 milhões de servidores (1% da população norte americana). Na França, um quarto de todos os trabalhadores são funcionários públicos. O Brasil tem 1.5% da população nos serviços públicos da União, Estados e Municípios, sendo que os estados tem a maior concentração de funcionários públicos por habitante.

A realidade é que o Brasil é deficitário em serviços públicos e ainda, o dinheiro é mal empregado quando não surrupiado a favor da mera manutenção do sistema de financiamento de campanhas políticas de todos os partidos.

Onde um país que além de deficitário nos serviços públicos e pela sua vastidão, também deficitário em infraestrutura e com 300 anos há menos de desenvolvimento social e urbano comparado com o EUA, por exemplo, não precisa de um Estado forte e desenvolvimentista?

A última grande crise deu amplitude à saída de capitais ao mesmo tempo em que a demanda de produtos Brasileiros caiu nos maiores mercados como o da China, Zona do Euro, América Latina. Sabido que o que parecia ser capaz de causar só uma marolinha no Brasil tomara um estado de permanência no contexto econômico mundial, o Brasil seria inevitavelmente atingido.

Lula que até então vinha apostando na força das mãos do estado e sabendo que o Brasil tem mais de dois terços do seu PIB movido pelo mercado interno que ele acabará de promover, injetou 100 Bilhões do superávit primário nos bancos públicos para financiar industrias estratégicas (são os 100 Bilhões que a Dilma está tentando economizar agora), deu isenções fiscais de todos os tipos, segurou preços e subsidiou o crédito. A Dilma manteve a mesma política até onde pôde e atingimos o pleno emprego. Mas não somente isso teve impacto no Brasil durante esses anos como também os motivos que precedem, é claro: a oferta abundante de emprego; a manutenção e ampliação de programas sociais; o crescimento da renda média; a manutenção de investimentos.

Ninguém faz investimentos como foram feitos no Brasil se não houver um mercado sólido e esse foi o mérito do PT - embora muitas pessoas achem que o bem estar delas nos últimos anos e hoje, em nada tem haver com inclusão de 20 milhões de pessoas no mercado de trabalho e de consumo.

Não fosse termos um Estado desenvolvimentista e optado por fortes medidas anti cíclicas no início da crise, sofreríamos com a queda ao mesmo tempo, da demanda externa que movimenta um terço do PIB e da demanda interna que movimenta os outros dois terços. Não sustentaríamos os investimentos, teríamos recessão, desemprego, ajuste, juros, aumento de tributos, no entanto por mais tempo, pois restaria ficar esperando a boa vontade da economia mundial crescer e o ânimo dos investidores voltar, para também voltarmos a crescer.

Em 2007 - ano anterior à crise - o PIB brasileiro fechou em 2.4 trilhões. Hoje é de 5.7 trilhões em função da política econômica adotada e não vai retroagir. A título exemplificativo, o EUA tem hoje uma dívida pública de 100% do PIB e quase 80% da população já é considerada pobre. O Japão deve 240% do PIB, a Austrália 27% e o Brasil 59%. Se trata da dívida bruta já que a dívida líquida brasileira não chega a 40%.

Ninguém ficou imune à crise e somente agora o mundo consegue colocar a mão no corrimão para se reerguer. O Brasil, tendo resistido bem até onde deu e por estar tomando as medidas cabíveis agora, tende a naturalmente deixar 2015 pra trás e entrar em 2016 muito melhor. Já é previsto desde 2014 a queda da pressão inflacionária em 2015/16, a retomada dos investimentos e a conclusão de obras. Já somos superavitários há 3 meses e o principal, a economia mundial está estabilizada, cresce a 3% e isso garante nossas exportações. Recentemente também caíram as sanções de um potencial bom cliente para o Brasil, o Irã.

Toda a política de gastos do governo, inclusive as manobras fiscais que sempre foram legais e agora são chamadas de "pedaladas", não são erros. Foi uma clara estratégia adotada pelo governo e uma hora precisaríamos estreitar o nó desse gasto. São legítimas as queixas ao Lula, à Dilma e em circunstâncias normais certas medidas poderiam ser consideradas erradas, no entanto, foi o que impediu que ao invés de um ano e meio de turbulência econômica tivéssemos seis.

Ora, o Governo não poderia em hipótese alguma admitir e sair falando aos quatro ventos que sofreríamos um impacto retardado da crise por causa do gasto - embora todo mundo soubesse. Admitir não só seria muito pior para a economia como uma irresponsabilidade. Outrossim, não dava pra levar a serio a suposição de que o Brasil iria ficar imune à maior crise econômica em quase 100 anos. Quem acreditou nisso, por favor!

Sei também que é difícil para quem pensa que o PT está destruindo sua vida, entender que o dedo do PT está em tudo que essa pessoa adquiriu da data do começo da crise até agora e que o que estamos passando é inevitável.

Embora isso, infelizmente, não seja a marolinha que o Lula disse que era, também não é a crise que vemos na rede bobo e outros meios de comunicação do mercado. Mas tenho que assumir que gostaria de encontrar uma outra alternativa à política que foi adotada no Brasil ou um bom exemplo a ser seguido e que tenha dado certo no mundo, mas infelizmente, papagaio não discute as ordens que dá.

43 Comentários

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Quem assina o texto?
Foi o Jorge Luiz Amantea Sabella?
É inacreditável que existam defensores do atual modelo de governo, acho que eu tenho graves problemas mentais, pois não consigo ver a "marolinha" descrita no texto, estamos passando por "tormentas econômicas" com reflexos em todos os níveis sociais, o governo no enfrentamento desta tormenta aperta, ainda mais, a classe trabalhadora, restringindo direitos e aumentando a carga tributária para continuar com seu projeto de poder.
O que vemos é um sucateamento dos serviços públicos, falta de investimentos na saúde e educação, restrição de direitos trabalhistas, restrição nas aposentadorias em detrimento de altíssimos gastos públicos (que só aumentam), além da malversação do dinheiro público e dos desvios de verba criminosos, motivados pela distribuição de propinas, contratos fraudulentos e superfaturados (o mensalão, petrolão, e o todossalão é ficção? Ahh... isto tudo é invenção da mídia golpista).
Em tempo: tudo bem, isto não é um privilégio apenas do PT.
VAMOS COMBATER ESTAS AÇÕES CRIMINOSAS E NÃO TENTAR JUSTIFICÁ-LAS! continuar lendo

Concordo, Jacy.
Alguns dados que foram ainda "esquecidos" no texto: o crescimento do Brasil, tanto nos anos FHC, quanto nos anos Lula, foi praticamente o mesmo da América Latina (http://rgellery.blogspot.com.br/2013/08/crescimentoeinflacao-nos-governos-fhc.html), tendo, FHC, resolvido um problema gigantesco no início de seu mandato - a hiperinflação.
A crise de 2008 foi mais rapidamente debelada precisamente nos... países com economia liberal! Desde 2010 os EUA crescem à média de 2% ao ano (http://pt.tradingeconomics.com/united-states/gdp-growth-annual). Enquanto isso Grécia, Portugal, Espanha, Argentina, Venezuela, Brasil, patinam.
Sério, sob que parâmetro 80% da população dos EUA é considerada pobre??? Só se pobre for quem não tem um Mercedes na garagem... Os dados não sustentam a afirmação: https://en.wikipedia.org/wiki/Social_class_in_the_United_States ; https://en.wikipedia.org/wiki/Personal_income_in_the_United_States .
Outro dado "esquecido" no texto: os EUA têm dívida de 100% do PIB pagando juros de praticamente ZERO! O Brasil contrata empréstimos pagando, no Tesouro Direto, 6,5% MAIS IPCA!!! Aliás, muitos deslumbrados acharam ótimo quando Lula se vangloriou de não dever ao FMI (pagando juros de até 5% ao ano) para pagar 15%!!! Onde é melhor pagar 15% de juros ao invés de 5%???
Ah, "esqueceu-se" também de dizer que nossa dívida hoje é de R$ 2,2 TRILHÕES de reais!! Sendo um dos países mais endividados do mundo: http://brasil.elpais.com/brasil/2014/09/30/economia/1412081072_163414.html ; http://www.implicante.org/noticias/divida-pública-brasileira-gracas-pt-bomba-prestes-explodir/
Uma curiosidade: por que a política econômica do PT só faz sucesso, em regra, entre não economistas? continuar lendo

Jorge Luís, obrigada pela brilhante explanação. Tenho muitas vezes tentado fazer as pessoas verem exatamente o que você descreveu, mas parece que infelizmente o povo brasileiro ainda não se livrou dessa cultura ridícula de que tudo é culpa do governo. E para quem sai comentanto "Olha a cartilha partidária aí gente!", só posso dizer: acompanhe mais as notícias econômicas e menos as partidárias. continuar lendo

Creio que a economica está irreparavelmente atrelada à política partidária, Clara. continuar lendo

Parabéns a visão do Articulista... nada como ver o mundo cor-de-rosa.
Só para não perder o costume, gostei da comparação na quantidade de funcionários públicos dos países, versus do Brasilzão veio de guerra.
Gostaria que no nobre Luiz, comparasse a quantidade de incompetentes contratados pelo nosso governo (ai inclui se as administrações anteriores, sem dúvida) com o pentágono. Quanta gente que não tem a menor capacidade funcional e acaba sendo pendurado nessa cota "pública" (ou cabide).
Detalhe, lá o PARTIDÃO não recebe 10% do salário por cabeça (de gado) que emprega nas tetas gordas do governo.
Aqui em SP, a gente vê o Prefeito Visionário, pintando o chão para as bicicletas cair nos buracos da pista. Ruas com duas vias, reservada metade para bicicleta e o resto disputado para Onibus e Carro. Sem estudo nenhum. de viabilidade. Da mesma forma a mudança de velocidade da Marginal tiete. Sem estudo, tanto faz diminuir ou aumentar a a velocidade, porque o resultado será o mesmo: Desconhecido. continuar lendo

SINTETIZANDO PORQUE LULA É O MAIOR DA HISTÓRIA..
DATAFOLHA -Lula encerra mandato com melhor avaliação da história
OPINIÃO PÚBLICA - 20/12/2010
O presidente Lula encerrará seu mandato na Presidência da República no auge de sua popularidade. Após sete anos e 11 meses de governo, 83% dos brasileiros adultos avaliam sua gestão como ótima ou boa - com isso, repete a marca de outubro, a mais alta já alcançada por um presidente na série histórica do Datafolha. A fatia dos que veem seu governo como regular é de 13%, enquanto 4% consideram-no ruim ou péssimo.

FHC entrou o Brasil era 8ª economia mundial e quando saiu 13º.Lula pegou o Brasil 13º e quando saiu deixou em 6º.

Segundo dados do Banco Mundial, o PIB do Brasil passou, em 11 anos (Governos Lula e parte da Dilma) de US$ 504 bilhões em 2002, para US$ 2,2 trilhões em 2013. Nosso Produto Interno Bruto cresceu, portanto, em dólares, mais de 400% em dez anos, performance ultrapassada por pouquíssimas nações do mundo.
Para se ter ideia, o México, tão “cantado e decantado” pelos adeptos do terrorismo antinacional, não chegou a duplicar de PIB no período, passando de US$ 741 bilhões em 2002 para US$ 1,2 trilhão em 2013; os Estados Unidos o fizeram em menos de 80%, de pouco mais de US$ 10 trilhões para quase US$ 18 trilhões.
Em pouco mais de uma década, passamos de 0,5% do tamanho da economia norte-americana para quase 15%. Devíamos US$ 40 bilhões ao FMI, e hoje temos mais de US$ 370 bilhões em reservas internacionais. Nossa dívida líquida pública, que era de 60% há 12 anos, está em 33%. A externa fechou em 21% do PIB, em 2013, quando ela era de 41,8% em 2002. E não adianta falar que a dívida interna aumentou para pagar o que devíamos lá fora, porque, como vimos, a dívida líquida caiu, com relação ao PIB, quase 50% nos últimos anos.
http://www.maurosantayana.com/2015/02/o-fim-do-brasil.html continuar lendo