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23 de Setembro de 2017

Povo débil, congresso hábil! Arrebanha-se o gado novamente.

Jorge Luiz Amantea Sabella
há 2 anos

Povo dbil congresso hbil Arrebanha-se o gado novamente

A lembrança é vívida da história de um político de alto cargo que teve que pedalar para renovar seu cargo. Como todos sabem política não se faz sozinho, então falamos de uma coligação daquelas bem brasileiras mesmo, que dá saudade.

Todos estavam preocupados com a pressão que vinha do dólar e seria vista com lupa em época de eleições. Lamentavelmente, por mais que possa parecer que há na consciência coletiva a compreensão sobre conjecturas econômicas e movimentos sócio econômicos, não há.

Havia de se segurar o dólar para não comprometer o projeto político, a reeleição, pois junto sempre vem uma pressão inflacionária. Isso é feito através de títulos que as administrações públicas emitem ou adquirem para dar segurança e credibilidade na rolagem de suas dívidas e tínhamos 30 Bilhões de dólares em títulos.

Essa poupança fazia com que nossa dívida pública líquida estivesse sempre perto de 36%, mas quando o governo desfez desses 30 Bilhões nossa dívida pública líquida se equiparou à dívida bruta, pois não tínhamos mais reservas cambiais, ou seja, foi para 72%.

Passada as eleições, FHC foi reeleito e o dólar ficou livre para começar sua trajetória de subida, o que era previsto.

Eu precisei dar esse exemplo clássico das pedaladas porque após a redemocratização, foi a primeira, assim como o primeiro mensalão, que teve o mesmo padrinho.

A base aliada do FHC no congresso - que é a mesma que quer derrubar a Dilma hoje - exigia muita grana em emendas para desviar e fazer suas eleições regionais, por isso não dava para economizar. Foi o jeito que deu para continuar com algum apoio já que com o rabo preso, a chantagem rolava solta.

A questão no entanto reside na passividade do povo ao ver aquilo e aceitar, como gado que é tocado para o pasto. A facilidade com que a rede bobo de televisão e coligados levam esse povo para lá e para ca é fascinante.

Para deixar claro o porquê das coisas e o afã com que querem derrubar a presidenta Dilma, é que da outra vez que o PT fez ajuste em seguida veio um ciclo de desenvolvimento imparável que começou com o Lula e acabou só agora em 2014, (mesmo com a crise internacional) oque permitiu a redução dos juros e do endividamento, sobrando mais dinheiro para investir e a repetição disso é a tendência natural para os próximos anos.

O que isso tem haver com as calças, né?

É que até 2002 foram desviados só no Banestado - por aqueles que governam o Brasil desde sempre - o equivalente há 1/3 (um terço) do PIB daquele ano (500 Bi) e esse dinheiro foi levado para fora do país e usado para comprar títulos da dívida pública brasileira, ou seja, os que governavam até então endividaram o país com eles mesmos para receber os juros de 27% que o FHC, sorridente, pagava (chegou ao absurdo de 45%).

Foi lá fora que a tchurma do FHC também recebeu as propinas para a entrega das empresas brasileiras a preço de banana para a iniciativa privada. Não me espanta descobrir que as ações dessas empresas estão na mão de fundos como os que administram o dinheiro do Cunha na Suíça.

Por isso precisamos arrebanhar o gado novamente, para continuar remunerando esse tipo de gente ao invés de gastar com os programas sociais que transformaram o Brasil. Esse negócio que a Dilma ta fazendo de zerar o superavit (que é a economia que o governo faz para pagar os juros da dívida) não está agradando muito (risos).

A partir de determinado percentual os juros passam a não compensar e o dono do título tem a opção de vender e investir em outra coisa, que não será tão segura. No caso desses brasileiros, eles teriam que repatriar os recursos ou contabilizar esse dinheiro lá fora. Entenderam o porquê da repatriação ser aprovada no congresso? Pode ser a única saída para a legalização do dinheiro. (O bom estrategista dá uma saída digna para seu oponente)

Vale ressaltar que os repasses de dezembro de 2014 que o governo atrasou foram justamente os repasses das contas destinadas aos programas sociais. Mas o mais interessante de tudo é que o orçamento de 2015 foi aprovado no legislativo praticamente junto com o acolhimento do pedido de impeachment, ou seja, impossibilita juridicamente o impeachment pois esse é fundado justamente na possibilidade do atraso de repasses se repetir em 2015, o que não vai acontecer pois já está tudo contabilizado.

Não me interessa aqui demonizar um e absolver o outro embora tenha deixado bem claro oque prefiro dentre esses dois projetos, mas sou cristão e sei que na vitória da oposição os gastos sociais serão cortados para pagamento de juros para eles mesmos e os que se representam como tal.

O congresso aprovou em tempo recorde contas passadas justamente para poder julgar essas contas agora e o correto seria ter cuidado e critério na análise pois não podemos ter dois pesos e duas medidas numa questão tão crucial.

Caso o Cunha tivesse sido mais esperto e condenado FHC ou Lula por suas contas mesmo que posteriormente, poderia agora derrubar a Dilma com a maior facilidade. Agora se derrubar será caçado inevitavelmente pelo resto da vida, assim como Temer, Aécio, Serra, Alckimim, FHC.

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